CLIGAM
Clinica Dr Galleta de Atenção a Mulher

UNICEF: Morte infantil no Brasil diminui, morte materna aumenta


Relatório divulgado pela UNICEF relata avanços brasileiros na taxa de mortalidade infantil, mas demonstra sérios problemas ainda no pré-natal e na morte materna, que aumentou, assim como a gravidez em mulheres abaixo dos 15 anos. Veja a noticia e também o comentário do Dr. Galletta, e entenda este grave problema brasileiro.
Brasil reduz mortalidade infantil, mas diferenças permanecem

BBC Brasil
22/01/2008 – 10h30

O Brasil conseguiu reduzir quase pela metade a taxa de mortalidade infantil entre 1990 e 2006, de 46,9 por mil para 24,9 por mil nascidos vivos, mas continuam muito grandes as disparidades entre as diversas regiões do país e entre diferentes grupos étnicos e raciais.

No índice de mortalidade inferior a cinco anos, o avanço foi ainda maior, de 57 por mil nascidos vivos em 1990 para 20 por mil nascidos vivos em 2006. Com isso, o Brasil passou de 86º para 113º lugar no ranking da mortalidade na infância (os primeiros lugares são ocupados pela mortalidade mais elevada) num total de 194 países.
Os dados são do relatório Situação Mundial da Infância 2008 – Sobrevivência Infantil, divulgado nesta terça-feira pelo Unicef, agência das Nações Unidas para a infância, e referem-se a mortes de crianças com menos de um ano.

“O Brasil avançou mais do que a média mundial, o grande problema é a disparidade tanto entre as diferentes regiões como grupos étnicos”, afirmou a representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier. “O Brasil está no caminho certo, mas não saiu do túnel ainda”, disse ela.

Metas do Milênio
Com estes dados, o Brasil caminha para alcançar a meta número quatro dos Objetivos do Milênio, que prevê a redução da taxa de mortalidade pela metade até 2015. A meta do país é reduzir a mortalidade de crianças com menos de cinco anos para 18.

“Agora entra a parte mais difícil, que é a redução não pelo fator técnico para pelo fator humano”, afirmou. “Agora vamos ver se o compromisso (do governo) do Brasil é total”, diz ela.

Para isso, afirma Marie-Pierre, é preciso aumentar o investimento em programas de acompanhamento do recém-nascido e aumentar o número de crianças entre quatro e seis anos de idade com acesso à escola.

Enquanto a média nacional é de 24,9 mortes com menos de um ano para cada mil crianças nascidas vivas, no Nordeste este número é de 36,9 por mil. O lado positivo, diz a representante da Unicef, é que a região foi a que mais avançou entre 1990 e 2006, reduzindo um pouco a desigualdade em relação a outras regiões.

O relatório da Unicef mostra ainda que as crianças pobres têm mais do que o dobro de chance de morrer, comparadas às crianças de famílias mais ricas.

A taxa de mortalidade para a população indígena é de 48,5 por mil nascidos vivos (138% maior do que para a população branca), enquanto para a população negra é de 27,9 por mil (37% maior do que para a população branca). A taxa para a população branca é de 20,3 por mil nascidos vivos.

Das 11,5 milhões de crianças com menos de seis anos no Brasil, 56% vivem na pobreza, em famílias com renda per capita de menos de meio salário mínimo.

Desse total, 4,7 milhões estão em famílias beneficiadas pelo Programa Bolsa Família, o que corresponde a 10,2% do total de beneficiários do Programa.

Causas
Cerca de 66% das mortes ocorrem no primeiro mês de vida, e 51% na primeira semana. As principais causas de morte na primeira semana de vida estão relacionados ao nascimento prematuro, asfixia durante o parto e infecções.

Para Marie-Pierre, este dado mostra que os programas pré-natais precisam continuar até os primeiros meses de vida do bebê.

A região Nordeste tem a maior taxa de mortalidade neonatal precoce do país, com 15,3 por mil nascidos vivos. Os Estados de Alagoas e Paraíba têm as taxas mais altas, de 17,4 e 16,9 por mil nascidos vivos, respectivamente.

“Para se manter a queda na taxa de mortalidade infantil será necessário o trabalho intenso que resulte numa maior cobertura e melhoria do pré-natal, assistência ao parto e pós-parto, que se traduz em melhor qualidade dos serviços de saúde, melhores condições hospitalares e melhoria na condição socioeconômica das populações mais carentes”, afirma o relatório.

“Se não forem fomentadas no País políticas públicas com esses objetivos, corre-se o risco de uma estagnação na taxa de mortalidade”, diz o documento, que alerta ainda para o fato de que é possível haver uma subnotificação dos óbitos infantis nas regiões Norte e Nordeste.

O progresso obtido até agora, destaca o relatório, foi conseguido com programas de atenção à saúde da criança, em questões como segurança alimentar e nutricional, saneamento básico, vacinação e atenção à saúde da família.

Mães
Se mostra melhora na sobrevivência das crianças, o relatório também aponta uma piora nas condições de vida das mães.

A mortalidade materna aumentou 2,1% no Brasil entre 2000 e 2005, passando de 52,3 mulheres por cem mil nascidos vivos para 53,4 por cem mil nascidos vivos.

O estudo também mostra que a idade das mães continua diminuindo.

O número de bebês nascidos de mães com menos de 15 anos aumentou, na média brasileira, de 6,9 por mil nascidos vivos em 1994 para 8,8 mil por mil em 2005, um crescimento de 28,6%.

O aumento ocorreu em todas as regiões. Em 1994, foram 18 mil bebês nascidos de crianças e adolescentes menores de 15 anos; em 2005, foram 27 mil.

Fonte: http://noticias.uol.com.br/bbc/reporter/2008/01/22/ult4904u408.jhtm


Existe um Comentário sobre “UNICEF: Morte infantil no Brasil diminui, morte materna aumenta” - Veja a seguir:

  1. Dr Galletta disse:

    UNICEF: Morte infantil diminui, mas morte materna aumenta
    Esta noticia de dados da UNICEF é muito interessante, na comparação que faz do Brasil com outros paises no mundo e deve realmente ser comemorada, pois a mortalidade infantil continua a cair em nosso país, fenômeno constante nas últimas 3 décadas. Hoje em dia já estamos no patamar dos melhores índices de mortalidade infantil do mundo, distante de paises que antes nos faziam companhia, como os paises africanos e vários latino-americanos. Este fato ocorre por vários motivos. Um deles é a vacinação das crianças, com uma cobertura cada vez maior, além de melhor assistência médica. O aspecto social também é relevante, afinal a taxa de natalidade em nosso país continua caindo e a média nacional atual de 2 filhos por casal permite que o cuidado com as crianças seja maior, incluindo melhor alimentação. Neste sentido, o bolsa família e outros programas sociais do governo federal também contribuem. E não podemos esquecer a ação do terceiro setor, como a Pastoral da Criança, da Igreja Católica, que há pelo menos 2 décadas contribui de forma significativa, ao ensinar não só o soro caseiro, como também vários outros cuidados ao recém-nascido e à criança. Veio se associar a este quadro o Programa Saúde da Família, onde agentes comunitários de saúde auxiliam no cuidado destas crianças, com visitas domiciliares frequentes nas casas com crianças menores de um ano, indo além onde o médico não pode se fazer presente. Infelizmente, ainda há muita distorção no cuidado da criança menor de 5 anos, com maior mortalidade naquelas de baixo nível sócio-econômico. No entanto, nos últimos 2 anos aumentou-se o número de equipes de PSF nas comunidades mais carentes e isso pode vir a ter um impacto positivo nas próximas pesquisas. Mas devemos entender que não há nada melhor do que boas condições econômicas para melhorar a saúde da população infantil. Entretanto, se devemos comemorar com os dados da morte infantil, devemos também nos entristecer com os dados de morte materna. Neste aspecto, ainda estamos emparelhados com os países africanos e diversos países latino-americanos de condição econômica bem pior do que a nossa. O índice de cerca de 50 mortes por cada 100.000 nascimentos ainda é subestimada e deve estar por volta de 75 a 100, de acordo mesmo com o Ministério da Saúde, isto porque muitos atestados de óbito ocorridos em mulheres gestantes ocultam tal fato, prejudicando a verificação do problema. Tal taxa é semelhante aos países africanos e bem distante da taxa dos países desenvolvidos, de 5 a 15/100.000 nascidos vivos. Isto é uma calamidade! A principal causa de morte materna em nosso país é a pré-eclâmpsia ou a hipertensão na gravidez, algo que poderia ser bem melhor controlado, se o pré-natal em nosso país fosse bem realizado. No entanto, muitas mulheres não passam no pré-natal e, quando o fazem, muitas vezes o profissional não está qualificado, nem tampouco motivado a fazer uma boa assistência. Muitos dos pré-natais em nosso país são feitos por clínicos gerais e por enfermeiras, que não estão afeitos a lidar com hipertensão. Por outro lado, há poucos hospitais qualificados para atender tais casos, e geralmente estão distantes da população mais carente. Como segunda e terceira causa da morte materna no Brasil encontramos as hemorragias e as infecções, ambas altamente relacionadas com o parto cesárea, pois qualquer cirurgia aumenta o risco de sangramento e de infecção na ferida operatória. Neste ítem infelizmente temos o título mundial. Nenhum outro país do mundo tem uma taxa de cesárea maior do que a nossa. Só para ter uma idéia os Estados Unidos estão muito preocupados com uma taxa ao redor dos 20%, pois todos os outros países desenvolvidos possuem taxas menores. No Brasil, a taxa é por volta dos 45%!! Este dado é um absurdo, pois além de sr responsável por grande parte dos óbitos maternos, ainda leva a um gasto maior em hospitalização, dinheiro que todos nós pagamos. Por último, ainda falta comentar que ainda há muita gravidez na adolescência em nosso país, com taxas reveladas ainda maiores do que dos anos 90. Isso causa preocupação, não só porque tais jovens estão saindo da escola e do mercado de trabalho, mas também porque elas se expõem aos riscos da gravidez. Basta lembrar que proporcionalmente morrem muito mais mulheres abaixo dos 15 anos por causa da gravidez do que mulheres entre 20 e 30 anos. É uma pena! Algo que devemos abordar com mais responsabilidade. Um exemplo a seguir é o do Estado de São Paulo, que é o único da união que conseguiu diminuir tais taxas, muito por causa das campanhas ocorridas e da atuação frequente em prol de uma assistência integral à saúde do adolescente, fazendo centros onde os jovens se encontram e conversam sobre seus problemas, mesmo não tendo evidentes problemas de saúde. Mas, certamente, ainda há muito o que fazer!

Escrever um Comentário


Especialidades

  • Corpo Clinico
  • Publicações
  • Comentários

Convênios