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Clínica Paulista tem embrião congelado há 17 anos


Noticia veiculada pela Folha de São Paulo relata a existência do embrião brasileiro mais antigo, conservado em Ribeirão Preto há 17 anos, que aguarda a manifestação dos pais para a decisão do seu destino.
Clínica tem embrião congelado há 17 anos da Folha Online
04/03/2008 – 08h37

Abandonado pelos pais, o embrião congelado mais antigo do Brasil chega no próximo ano à maioridade. Ele é o único que restou de um total de 48 embriões congelados em 1991, quando o centro de reprodução humana Franco Júnior, de Ribeirão Preto (SP), iniciou o seu programa de criopreservação, informa reportagem publicada na edição desta terça-feira (4) na Folha de S.Paulo (íntegra disponível para assinantes do jornal ou do UOL).
A clínica perdeu o contato com o casal que deixou o embrião congelado há 17 anos. Depois do tratamento de fertilização in vitro, eles mudaram de endereço e não informaram o novo destino. Isso acontece com outros 233 embriões que estão congelados na clínica, segundo o diretor José Gonçalves Franco Júnior. “A gente manda carta, telefona, mas não acha.”
O banco de embriões congelados do centro é o maior do país e reúne mais de 90% dos embriões disponíveis para pesquisa com célula-tronco, segundo censo feito pela SBRA (Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida) em 2005.
De acordo com a Lei de Biossegurança, para serem utilizados os embriões precisam estar congelados há mais de três anos. Também exige a autorização do casal.
Nesta quarta-feira (5), o STF (Supremo Tribunal Federal) começará a julgar uma ação direta de inconstitucionalidade contra o artigo 5º da Lei, de 2005, que permitiu a pesquisa com células-tronco de embriões fertilizados in vitro e descartados.
O julgamento será permeado por questões religiosas e argumentos emocionais, tanto por parte da Igreja Católica quanto da comunidade científica, que estão em lados opostos nessa batalha.
As células-tronco embrionárias são consideradas esperança de cura para algumas das doenças mais mortais, porque podem se converter em praticamente todos os tecidos do corpo humano. Entretanto, o método de sua obtenção é polêmico, porque a maioria das técnicas implementadas nessa área exigem a destruição do embrião.

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u378322.shtml


Existe um Comentário sobre “Clínica Paulista tem embrião congelado há 17 anos” - Veja a seguir:

  1. Dr Galletta disse:

    Embrião congelado: a polêmica questão das células tronco
    Ao comentar a notícia de que um embrião congelado chega à maioridade no interior de São Paulo, reforço minha concepção de que o debate sobre a questão das células tronco embrionárias encontra-se ainda acirrado e polêmico. Não só porque a lei de biosegurança está para ser aprovada no Congresso, como também porque a Igreja católica discute o assunto na Campanha da Fraternidade deste ano, sobre a dignidade da vida humana Recentemente, fui convidado pela Câmara Municipal de São Paulo para uma mesa redonda sobre a Campanha da Fraternidade e me surpreendi com a presença de muitos deficientes físicos no local, exigindo uma posição que não cabia à esfera municipal, qual seja a aprovação da pesquisa de células tronco em embriões humanos, uma matéria a ser discutida em âmbito da federação. No entanto, apesar da inadequação de foro para a discussão, me surpreendi com a reação das pessoas. Não porque não esteja acostumado com este problema. Tenho familiares que tiveram trauma medular, amigos e muitas gestantes cadeirantes, as quais atendo no Setor de Neuropatias e Gravidez, no Hospital das Clínicas. Sei do drama humano e da superação que tais pessoas realizam todos os dias, numa sociedade que não está preparada para recebê-los. Acho muito positivo que tais pessoas se associem e briguem por seus direitos, mostrando para os demais cidadãos o quanto são capazes e admiráveis. O que me surpreendo, de verdade, é como a esperança é semeada de forma irresponsável. Pois estes cadeirantes parecem acreditar que a ciência trará para eles a plena reconstituição do movimento, o que provavelmente não será possível tão já, mesmo que as pesquisas avancem muito nos próximos anos. Outro engano é que o único entrave para a solução do problema que eles têm é a posição da Igreja Católica, que luta pela preservação dos embriões congelados. Primeiro, a pesquisa com células tronco adultas, obtidas principalmente do cordão umbilical no nascimento, poderia estar mais adiantada e propiciar maiores vantagens, por ser de obtenção mais fácil. Milhões de placentas e cordões umbilicais são jogados no lixo todos os anos no Brasil, sem nenhuma atenção a isso. As células sanguíneas do recém-nascido também se prestariam a este tipo de pesquisa, mas não há interesse em se fazer isso, por uma razão tão simples quanto real: é muito barato! Por outro lado, a pesquisa com células tronco embrionárias teria alguns benefícios, é lógico. Tais células têm um potencial maior de diferenciação em outros tipos celulares. Entretanto, há vários entraves. O primeiro é o financeiro. A obtenção de embriões é cara. Outro entrave é o filosófico-religioso. Não há como fazer pesquisas com o embrião sem matá-lo de forma definitiva! Alguns argumentam que uma vida salvaria a outra. E quem disse que uma vida é melhor do que a outra? Interessante é o fato que justamente as pessoas com deficiência física e via de regra menosprezadas pelas sociedades mais autoritárias sejam justamente aquelas que invertem o raciocínio e dizem que há vidas que têm menos valor do que outras, esquecendo que este raciocínio já foi usado em muitas culturas para segregar e eliminar exatamente pessoas como eles, deficientes e fragilizadas por algum acidente. Despulpem-me, mas toda vida tem valor! Seja a minha, a de um presidente, de um deficiente físico, de um moribundo, ou de uma criança ainda em formação! Há os que argumentam que o embrião só seria viável por 2 ou 3 anos, e que poderiam ser usados após este tempo, porque não prestariam para mais nada. Certamente, que se preferem os embriões mais novos para a implantação uterina, imaginando que eles teriam mais sucesso do que outros embriões mais velhos. No entanto, não há certeza alguma de que haja uma data limite para esta utilização. Prova disto é que este Centro de Reprodução Humana de Ribeirão Preto (SP), um dos mais antigos do país, ainda mantém congelado um embrião congelado de quase 18 anos, sem “desprezá-lo”. Não é só por questões éticas ou morais que o responsável pelo Centro guarda este embrião. Sabe-se que vários embriões congelados há mais de 10 anos conseguiram ser implantados com sucesso no útero receptor, o que viabiliza a idéia de guardá-los. Assim, se percebe que uma questão tão polêmica e delicada como esta se estrutura em cima de meias verdades. O que é triste! Como é triste também que a esperança seja colocada em algo tão frágil, quando há tantas outras possibilidades!…

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