Uma em quatro jovens tem DST, diz governo dos EUA
| Dados americanos veiculados pela BBC dão conta de uma realidade perversa e assustadora, que também deve ser freqüente no Brasil. As mulheres mais jovens estão cada vez mais expostas às doenças sexualmente transmissíveis, e sem se darem conta do risco que isto significa. Leia a notícia e o comentário do Dr. Galletta. |
| Uma em quatro jovens tem DST, diz governo dos EUA
Da BBC Brasil Uma em cada quatro adolescentes de 14 a 19 anos de idade apresenta algum tipo de doença sexualmente transmissível (DST) nos Estados Unidos, segundo um estudo do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) do governo americano. Ao todo, o centro estima que cerca de 3,2 milhões de jovens estão infectadas com pelo menos uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns: papilomavirus humano (HPV), clamídia, herpes simples e tricomoníase. O estudo apresentado na Conferência Nacional de Prevenção de DSTs, em Chicago, mostra que a incidência dessas doenças é bem mais alta entre as adolescentes afro-americanas (48% estão infectadas com pelo menos uma delas) em comparação com as jovens brancas e as de origem mexicana (apenas 20%). Este foi o primeiro estudo a examinar a prevalência da combinação das DSTs mais comuns entre as adolescentes em todo o país. A análise foi feita sobre dados coletados pela Pesquisa Nacional de Exame de Saúde e Nutrição de 2003 e 2004. Representatividade nacional Os autores estudaram informações sobre uma amostra de 838 adolescentes que teriam representatividade nacional. “Os dados demonstram os significantes riscos para a saúde que as DSTs apresentam para milhões de jovens mulheres neste país a cada ano”, disse Kevin Fenton, diretor do Centro para HIV/AIDS, Hepatite Viral, DSTs e Prevenção de Tuberculose do CDC. Segundo o estudo, 15% das jovens apresentavam mais de uma infecção. A mais comum era por HPV – vírus associado a verrugas genitais e câncer cervical – encontrado em 18,3% das jovens, e clamídia, encontrado em 3,9% das adolescentes. “Levando-se em conta que os efeitos das DSTs para as mulheres – da infertilidade ao câncer cervical – são particularmente severos, os exames de rotina para DSTs, vacinas e outras estratégias preventivas para as mulheres sexualmente ativas estão entre as prioridades do setor de saúde pública.” O centro ainda recomenda a vacinação de meninas de 11 e 12 anos contra o vírus HPV tipos 16 e 18, responsáveis por 70% dos casos de câncer cervical e 6 e 11, responsáveis por quase todas as verrugas genitais. Os autores notam que a incidência de doenças sexualmente transmissíveis entre as jovens pode ser ainda mais alta, já que não foram realizados exames de sífilis, HIV e gonorréia – mas a prevalência dessas doenças costuma ser baixa nesta faixa etária. “Os altos índices de infecção de DSTs entre as jovens mulheres, particularmente as jovens afro-americanas, são sinais claros de temos que continuar a desenvolver modos de alcançar aqueles que sofrem maior risco”, disse John M. Douglas, diretor da Divisão de Prevenção das DSTs do CDC. Ao todo, metade das jovens no estudo disse ter feito sexo. Entre elas, a prevalência das infecções foi de 40%. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças diz que apóia um amplo programa de prevenção, que inclui a abstinência sexual, a monogamia e o uso correto de preservativos entre as pessoas sexualmente ativas para diminuir o risco de contágio. Fonte:http://cienciaesaude.uol.com.br/ultnot/bbc/2008/03/12/ult4432u1102.jhtm |



Uma em quatro jovens tem DST, diz governo dos EUA
Os dados revelados por este estudo americano, do CDC, são preocupantes. A infecção por HPV, Clamídia e Herpes está aumentando neste grupo mais jovem, entre 14 e 19 anos. A vida sexual cada vez mais precoce e cada vez mais despreocupada e irresponsável é a grande responsável por este quadro. Quase uma quarto destas mulheres jovens americanas tem algum destes tipos de DST, enquanto quase metade das negras possui um ou outro tipo de doença. A realidade pode até ser pior, porque não se investigaram outras doenças menos comuns, como a Sífilis e o HIV. É preciso dizer o efeito catastrófico disso a médio prazo. O HPV, que é o vírus do Condiloma, dá verrugas genitais e predispõe ao câncer de colo uterino, de vulva, de vagina e de pênis. O risco que uma mulher tem em desenvolver o câncer do colo uterino, tendo alguns dos subtipos oncogênicos de HPV (os subtipos 16 e 18) é de 100 vezes! Só para comparar, o risco de uma pessoa que fuma em desenvolver câncer de pulmão é de 10 vezes! O Herpes, além de desagradável e doloroso, é causa de cegueira em crianças de mães com a doença. Aliás, mesmo risco existe para a Clamídia, que também aumenta o risco de esterilidade na mulher, por entupir a trompa uterina (o que aumenta também o risco para gravidez ectópica, ou seja, nas trompas). Outra doença que dá esterilidade pelo mesmo motivo é a Gonorréia, só que ela é fácil de tratar, o que não é verdade com a Clamídia. Mas, infelizmente, tanto o Herpes, como o HPV, por serem vírus, não têm cura, apenas controle. Ou seja, uma vez infectada com o vírus, a mulher ficará com ele para o resto de sua vida, podendo infectar a outros. Ou seja, uma decisão errada, levada pela emoção, ou pela paixão, pode ter conseqüências graves, intratáveis, para o resto da vida! Tais DSTs serão com certeza uma lembrança desagradável para muitas velhinhas, daqui a algumas décadas. Já pensou? Você que me lê, já velhinha, pensando: “Ah, se eu não tivesse transado sem camisinha naquele dia, quando eu tinha 15 anos!…” Fala-se muito do HIV, que também não tem cura, apenas controle, por ser um vírus. Mas ele é muito menos freqüente do que as outras DSTs! A própria Sífilis, que é muito fácil de ser tratada, com antibiótico, quando está no início, é uma situação ainda muito comum hoje em dia. Basta dizer que a Sífilis Neonatal, que infecta a criança na barriga da mãe, está em ascensão na cidade de São Paulo, sendo que metade dos casos ocorre em pacientes de convênio! E esta sífilis neonatal é mais grave do que a do adulto, acometendo muito mais frequentemente o cérebro, o fígado, a pele e os ossos! E, o que pior, mesmo com o tratamento, pode ser que a criança fique com seqüelas definitivas, pelo resto da vida, com deformidades ósseas por exemplo. Apesar disso tudo, vejo muito pouca preocupação com o assunto nos jovens que me escrevem no site. Quase todos estão preocupados com uma possível gravidez ao não terem usado a camisinha, mas praticamente ninguém se preocupa com uma possível DST! E, acredite, é muito mais fácil pegar uma doença venérea do que uma gravidez! Parece-me que, com a pílula do dia seguinte, ficou mais fácil ter relações em camisinha e sem medo. Muitos pensam: “Tudo bem, é só usar a tal pílula do dia seguinte!” No entanto, cada vez mais estou dizendo a mesma frase: “Cuidado, pois a PDS não evita as doenças sexualmente transmissíveis! Uma gravidez ainda é algo bom, afinal é uma vida que vem ao mundo. Mas uma DST é encrenca na certa!”. Por isso, você que me lê, preocupe-se e se cuide! Às vezes, uma só relação sexual impensada pode trazer dores de cabeça para o resto da vida! E, infelizmente, nem mesmo a camisinha protege totalmente…